Carlos Drummond de Andrade

 

Drummond foi considerado o melhor poeta do século XX do mundo inteiro, uma honra e tanto para o Brasil. Na infância o poeta chegou a ser expulso da escola por insubordinação mental. Nascido em Minas Gerais mudou-se para o Rio de Janeiro no ano de 1934, onde morou até sua morte. O gênio da literatura também se formou em farmácia em Ouro Preto. Drummond também traduzia obras, além é claro de escrever para revistas e jornais. Preocupado com aspectos sociais, o poeta defendia uma mudança no país, já que era adepto do comunismo. Em seu estilo inconfundível a melancolia e o ceticismo estão presentes em algumas obras, assim como ironia e a sátira social estão presentes em outras. Conheça um pouco da linda obra do poeta:

Resíduo (trecho)

(…) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.
Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.
(…) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.

As sem razões do amor

Eu te amo porque te amo.
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

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